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Astronomia: de Galileu às Estações Espaciais

Por Carolina Drago

Sim, o homem esteve na lua. Não, os marcianos não invadirão a Terra. Quem garante que essas afirmações não são delírio dos terráqueos é a Astronomia, ciência milenar e mais presente em nossas vidas do que se imagina. Desde Galileu, que em 1609 apontou para o céu a chamada lente de longo alcance, até a construção, na década de 1980, do telescópio Hubble, a Astronomia esteve se desenvolvendo na tentativa de delimitar o espaço, suas possibilidades e, sobretudo, o lugar do homem diante de tamanha imensidão.

As descobertas de novas estrelas, luas em Júpiter e crateras na Lua deram início à observação ótica, que deve à corrida espacial muito de sua evolução. No final da década de 1950, o primeiro satélite artificial da Terra, Sputnik, foi lançado à nossa órbita, seguido do lançamento do Sputnik II, que consagrou a cadela Laika como o primeiro ser vivo a conhecer o espaço. Mas apesar da ousadia de todos esses investimentos, foi a ida do homem ao espaço o acontecimento que desafiou todos os limites da adaptação humana e da superação científica:

- Sabemos que o nosso corpo “funciona” com os pés no solo. Então, para saber como seria a reação do organismo humano fora da Terra, foi criada a Medicina Espacial. Na ida do homem à Lua, por exemplo, o astronauta foi totalmente monitorado: funcionamento do cérebro, pressão, batimentos cardíacos... Com isso, a Medicina provou que nós, seres humanos, nascidos e desenvolvidos no planeta Terra, poderíamos ir para outro astro, mesmo sua gravidade sendo um sexto da do nosso planeta – esclarece Marcomede Rangel, físico do Observatório Nacional.

A Medicina Espacial, embora desenvolvida para as missões astronômicas, felizmente ultrapassa as fronteiras científicas, sendo revertida para a sociedade. Exames médicos como a ultrassonografia e acessórios como os óculos escuros têm sua origem nesse ramo da Ciência. Além disso, ligas mais leves e resistentes, desenvolvidas pela Medicina Espacial, são direcionadas para a adaptação mecânica de deficientes físicos. 

- A lente especial dos óculos escuros vem do capacete do astronauta. O tênis usado hoje, que se molda aos pés, vem da bota, também usada por eles. Inclusive o refresco em pó, que se coloca na água desidratada, começou a ser usado nas missões espaciais – acrescenta Marcomede.

Há uma previsão de que, no futuro, os remédios sejam feitos em estações espaciais, já que a presença da gravidade impossibilita a separação e o desenvolvimento de determinados compostos. Segundo o físico, e expectativa é de que sejam construídos laboratórios em torno da Terra para esse fim.

- Sabemos que o futuro do homem será em volta da Terra, em estações espaciais. É por isso que se tem a Estação Espacial Internacional, que está a 400 km da Terra, onde são realizados vários experimentos. Quanto à fibra ótica, já se comprovou que, enquanto no solo seu aproveitamento é de 70%, na estação poderia chegar a 98%.

Motivados por mera precaução ou por preocupações fundamentadas, os cientistas já estudam a possibilidade de encontrar vida em outro planeta. E a constatação de que, além da Terra, o único planeta do Sistema Solar no qual o homem poderia viver é Marte contradiz a velha ideia de que seremos “invadidos pelos marcianos”. Como brincou Marcomede, “na verdade, vai acontecer justamente o contrário: nós é que estamos nos preparando para invadir Marte”.

Já descoberto que Marte tem uma atmosfera de gás carbônico, que seu diâmetro é metade do da Terra, que lá o dia tem 24 horas e meia e sua temperatura pode chegar a 24 graus negativos – ou seja, com características semelhantes às da Terra-, agora se estuda um projeto que considera a possibilidade de o homem modificar o clima de Marte, aproximando-o do nosso. Além disso, outro desafio é a busca de água, da qual seriam obtidos o hidrogênio e o oxigênio.

- Mas ainda há algo a se observar, porque como a gravidade em Marte é um terço da gravidade na Terra, lá nós teríamos que usar botas com pesos, para podermos andar no chão - adverte o físico sobre uma das contrapartidas da experiência.

 

 


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