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COLUNA PASSAPORTE- CONHEÇA OS ALUNOS DA BIOMEDICINA UFRJ QUE ESTÃO DESENVOLVENDO SEUS TRABALHOS NO EXTERIOR PELO PROGRAMA CIÊNCIAS SEM FRONTEIRAS

Intercâmbio pelo Ciência Sem Fronteiras rende publicação de artigo científico para Luiza Volpi, aluna da UFRJ de Ciências Biológicas – Modalidade Médica. 

            A coluna Passaporte continua sua série de entrevistas. Dessa vez a aluna de graduação Luiza Volpi nos conta como é estudar na Escócia.

 BioICB): Você viajou pelo Programa Ciência sem Fronteiras? Quando foi? Para onde foi?

L: Sim, viajei de janeiro de 2013 a fevereiro de 2014, para a Universidade de Aberdeen, em Aberdeen, na Escócia.

BioICB): Quais os pré-requisitos exigidos para conseguir o intercâmbio?

L: Bom desempenho acadêmico, carta de recomendação motivadora, ser hábil e estar atento às datas para fazer toda a parte burocrática dentro dos curtíssimos prazos. Atualmente, somente o exame de inglês IELTS é aceito para intercâmbios no Reino Unido,

BioICB): O que te fez escolher esse lugar?

L: Escolhi o Reino Unido pela facilidade da língua. Escolhi a Universidade de Aberdeen por sua tradição e por ser uma das melhores universidades do Reino Unido nas áreas biomédicas e biológicas. Na Europa há a facilidade de mobilidade entre países.

BioICB): Você se matriculou em alguma disciplina? Qual a que mais gostou?

L: Sim, fiz 8 disciplinas. Gostei muito de duas: uma delas era Psicologia Social, que me conquistou instantaneamente e se tornou meu projeto de pesquisa desde o primeiro mês de intercâmbio. A outra foi Mindfulness (Mente Alerta). Era uma matéria prática com o objetivo de nos elucidar sobre conceitos da meditação, na qual toda semana um método/técnica diferente de meditação era apresentado. Deveríamos praticá-lo diariamente e fazer anotações em um diário pessoal. Toda semana compartilhávamos nossas dificuldades e diferenças individuais no processo, assim como discutíamos conceitos e experiências comuns. A turma tinha sete pessoas, e a aula era dinâmica, altamente produtiva e imersa em questões filosóficas e psicológicas, de forma totalmente desprendida do âmbito religioso.

BioICB): Como é o sistema de avaliação de lá?

L: Tínhamos pouquíssimas horas de aula por semana. As matérias são dadas de forma mais superficial, em tópicos. No entanto, se espera que o aluno se aprofunde. Para cada aula de uma hora, 15 artigos complementares têm que ser lidos. É esperado que os alunos escrevam coisas que não foram dadas em aula nas avaliações. Isso não acontece no curso de Biomedicina da UFRJ. Lá, é preciso saber se organizar e estruturar uma rotina individual e contínua de estudos. Assim se explica porque tão poucas horas de aula por semana. Aliás, tudo lá era focado em pesquisa na graduação, pelo menos o curso de Neurociência & Psicologia. A maioria dos trabalhos era escrever partes de artigos, revisões, revisões críticas, etc.. Sempre há exercícios online e apresentações. As provas são encadernadas, os alunos escrevem seus nomes e as lacram, para manter o anonimato durante a correção. É um esquema completamente diferente do daqui.

BioICB): Em relação às pessoas, você fez amigos lá? Havia outros estudantes estrangeiros? Você enfrentou alguma barreira quanto a isso?

L: Na universidade que estudei, 60% dos alunos são estrangeiros (Europeus). Não há tantas barreiras culturais. Os nativos se misturam com estrangeiros naturalmente. Fiz amigos estrangeiros, mas infelizmente não tantos quanto desejava! Por outro lado, conheci muitos brasileiros. Em um programa como o CsF, as pessoas são alocadas nas mesmas moradias. Assim, nosso contato imediato com o exterior é nacionalizado: logo que chegamos à casa, encontramos brasileiros. Não reclamo; só conheci pessoas maravilhosas!

BioICB): Você participou de alguma atividade extracurricular lá? Conte-nos um pouco sobre ela.

L: Participei do congresso internacional SPR (da sigla em inglês para Sociedade de Pesquisa Psicofisiológica) em Florença, em 2013. Fiz curso de primeiros socorros para a saúde mental, proporcionado pelo NHS; participei de sociedades que planejavam viagens pelo país com outros alunos internacionais; participei da sociedade do whisky (não tem como ir para a Escócia e não participar desta sociedade!) e me exercitava diariamente no centro esportivo da cidade, muito próximo da universidade. Altamente estruturado, para estudantes é muito barato, ele oferecia diversas atividades, desde lutas a jogos de badminton e futebol até uma academia superequipada e moderna.

BioICB): Você fez algum estágio lá? Onde foi? Em que laboratório? Por quanto tempo?

L: Fiz estágio na própria universidade por 11 meses, no laboratório de Psicologia Social, sob supervisão do Dr. Lynden Miles.

BioICB): Poderia nos contar o que você pesquisou lá? Conseguiu algum resultado?

L: Participei de quatro projetos e no verão tinha um projeto “só meu”. O primeiro deles consistia em coleta de dados por meio de questionários distribuídos a uma amostragem aleatória de indivíduos. Este projeto possui parceiros em muitas universidades ao redor do mundo e seu objetivo é avaliar a universalidade ou não do reconhecimento de sorrisos e expressões neutras, além de diversas generalizações que podem estar relacionadas à expressão facial.O segundo e terceiro experimentos acompanhavam o projeto de doutorado da aluna Brittany, ambos relacionados com a tomada de perspectiva visual em participantes (ex.: primeira ou terceira pessoa) durante processos de estimulação mental, por meio da imaginação e também, como distintas distâncias espaciais imaginadas (ex.: longe e perto) afetam o comportamento de indivíduos. Um dos projetos foi aceito para publicação: Para mais detalhes, consultem o link: http://spp.sagepub.com/content/early/2013/10/28/1948550613511500.abstract

Minha monografia tem relação com o quarto e último projeto: participei de todos os estágios de seu desenvolvimento, desde a formulação da ideia e hipóteses até o desenho experimental, experimentos e análise de dados. O projeto visa investigar como diferentes estados corporais relacionados a muito poder e pouco poder, personificados via posturas expansivas e constritas, respectivamente afetariam a tomada de julgamentos sociais.

BioICB): O que mais te impactou positivamente durante o seu estágio no exterior?

L: O ambiente extremamente amigável do Departamento de Psicologia, a experiência em trabalhar com pessoas – e não com pipetas em bancadas – e a descoberta de uma área incrível que não haveria nunca imaginado participar antes.

BioICB): Você também estudou no Canadá no início da graduação, certo? Para que cidade e Universidade você foi? Como você fez para ser aceita?

L: Passei para as universidades de York, Western Ontario e Toronto, e acabei optando pela universidade de Western Ontario, em London. A admissão se dá pelo site da UCAS (http://www.ouac.on.ca/).

BioICB): Como é o sistema de ensino no Canadá?

L: As aulas são curtas e muito didáticas, existem muitas aulas práticas extremamente organizadas. Os professores são como “pais”. Havia horários de revisão e tira-dúvidas com eles. Estavam lá pois gostavam de ser professores, não necessariamente pesquisadores. O ambiente e método de ensino propiciavam um estudo contínuo e saudável. Muitas atividades curtas a todo tempo para todas as matérias, muitos exercícios online e muitas bibliotecas enormes em todo o canto, muito próximas aos dormitórios, propiciando uma rotina de estudos assídua.

BioICB): Deixe, por favor, uma mensagem final aos nossos leitores.

L: Se pudesse, passaria a vida toda fazendo intercâmbio! A independência, a visão de que há infinitas possibilidades no mundo; tudo é diferente, em cada lugar funciona de um jeito. Eu simplesmente não consigo imaginar minha vida sem essa gana de querer saber como são as coisas e como elas podem mudar; como nossa vida pode ser diferente e incrível em outros lugares. É inspirador, todos deveriam ter essa experiência!


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